Happy Cities 5.0: 
O ativismo das cidades felizes.

A importância do Ativismo para as Cidades Felizes.

Como o desenvolvimento dos territórios, da cidadania e da felicidade podem contribuir para a competitividade das cidades.

 

Quando pensamos Portugal, no contexto europeu e no mundo, hoje, sabemos também que este novo paradigma de comportamentos e desenvolvimento que procuramos, passará por termos uma maior capacidade de criarmos um novo modelo de governança, como pessoas e como profissionais, com maior competência e eficácia.

Aqui e agora, o sermos orientados para promover uma prática de corresponsabilização do trabalho colaborativo dentro e fora da sociedade civil, tendo em conta a importância de que essa corresponsabilidade deve ser inerente à cidadania, como o fato de podermos explorar várias formulas, para assim criarmos credibilidade e reputação ao ativismo, e que este consiga promover a sustentabilidade dos territórios como um dos eixos estratégicos mais determinantes de diferenciação e sucesso para as nossas regiões e cidades, que têm um valor impar e já reconhecido no contexto internacional.

Julgo, chegada a hora de podermos fazer o nosso próprio caminho como nação, um caminho de inovação, tendo em conta um possível mundo pós pandémico e as necessidades do agora e do futuro, que envolva as pessoas, as organizações e as cidades.

A União Europeia pede-nos simultaneamente rapidez e ousadia, no sentido de identificarmos os projetos e as opções que nos trarão um futuro mais feliz, tendo em conta a transação ecológica e digital, e definitivamente termos que deixar para trás os potencias bloqueios estruturais, sejam eles de cariz material ou psicológico.

Deverá ser estratégico para o desígnio e o propósito nacional sabermos como financiar no sentido da melhoria dessas mesmas necessárias infraestruturas, sejam elas relativas à mobilidade, à indústria 4.0 ou à digitalização da sociedade 5.0, por exemplo. Tudo isto, também terá que significar novos enquadramentos de políticas públicas abrangentes, mas simultaneamente com orientações cada vez mais especializadas e rigorosas, tanto na perspetiva da sua qualidade e eficácia, como poderem simultaneamente cumprir o objetivo dessas mesmas políticas públicas, de se tornarem acessíveis a cada vez mais pessoas e tendencialmente mais meritocráticas, que é um défice nacional.

Para contextualizar, este plano de dinamização das Causas, do Propósito e do Ativismo para as Cidades Felizes, é um passo essencial para conseguirmos estabelecer novos padrões e éticas, mais elevados e transparentes, para que a qualidade e a excelência e o alcance dessas mesmas infraestruturas, favoreçam a competitividade das cidades e a eficácia da cidadania ativa.

Agora, esta poderá ser a oportunidade singular de criarmos um verdadeiro clima propicio à mudança de atitudes e mentalidades em nome das gerações atuais e também das futuras e conseguirmos que mais pessoas optem pelo seu envolvimento numa cidadania esclarecida, uma ação objetiva e passarem a ter um propósito na sua intervenção cívica e na sua contribuição ativa para um mais competente e eficaz desenvolvimento dos territórios, das nossas regiões e cidades, que fará toda a diferença para a nossa competitividade como nação.

Entendo que surja agora, mais que nunca, a necessidade de criarmos um novo paradigma para um ativismo focada na felicidade do cidadão e das suas cidades, podendo ser um dos clusters de valor ímpar a agregar nas novas e necessárias dinâmicas e onde colaborativamente os municípios, as empresas e as universidades, poderão aproveitar, transformando este momento, ao se candidatarem através de projetos conjuntos e sinérgicos, na construção de novas formulas de financiamento em sintonia com inovadores conceitos de politicas públicas que não segreguem, mas sim, venham a permitir dinamizar a criação de mais e melhor valor nacional, no seu todo.

Segundo o Professor Benedito Nunes Rosa, Sócio Fundador do Instituto Movimento pela Felicidade (Brasil), instituição voltada para o estudo, difusão e aplicação da ciência da felicidade, “Acredito que a felicidade para as cidades se torna num imperativo no atual contexto em que viemos. Todavia, em que pese a importância das iniciativas privadas acerca do tema, creio que ele só ganhará efetividade quando transformado em políticas publicas. A participação dos agentes representantes da população, por sua capacidade de realização, de aglutinação e de efetividade é que permitirá a criação de um novo contexto de Pólis. O exemplo do agente público inspirará e fortalecerá as iniciativas privadas construindo, como consequência, cidadãos mais empoderados e, com eles, cidades plenas onde viver será para todos uma experiência inesquecível.”

Dito isto, a questão que se coloca neste momento é: Qual deverá ser a Agenda do Ativismo para as Cidades Felizes?

Se esta crise pandémica continuar ainda por muito mais no espaço e no tempo, como julgamos que sim, baseados no atual conhecimento cientifico, a chamada grande classe média, que já começou a reduzir os seus gastos em todos os setores, que até agora eram considerados essenciais, quer seja na saúde, na educação, quer mesmo na capacidade de acesso à justiça, devido à possibilidade de vermos os nosso direitos, deveres e garantias de alguma forma não serem salvaguardados, ficaremos expectantes perante a capacidade de respostas das nações.

Assim, dado que hoje cerca de 75% dos europeus já vivem em cidades e que até 2050, 85% da população viverá, trabalhará e estudará em centros urbanos, segundo dados pré pandemia, há além de tudo uma necessidade crescente na aposta na qualidade de vida e do bem estar dos cidadãos, de uma maior necessidade de transparência da governança e dos seus planos de recuperação económica serem indiscutivelmente mais eficazes e que tenham um impacto real junto dos níveis da felicidade das pessoas, das cidades e das nações.

Neste ambiente atual, surgem necessidades de defender, de redimensionar e de flexibilizar os conceitos sobre a importância do cidadão em relação à cidade e mesmo, de estes se tornarem atores políticos com maior capacidade para influenciarem a forma como o diagnóstico se processa, o quanto é necessário apostar consistentemente na formação e no conhecimento cientifico, agindo de acordo com os objetivos dos clusters e dos “stakeholders” regionais, desde o empreendedorismo, à  educação ou os municípios.

“Já em 2013, Montegomery escreveu um dos principais livros sobre a organização da cidade que influencia bastante o desenvolvimento (ou não) das pessoas. Aqui o autor explora bastante bem a questão filosófica da amizade e diz que a cidade deve ter espaços para a vivência dessa conexão social. Esta questão ganha ainda mais pertinência quando relacionamos a filosofia com a estatística: em cada cidadão, a média de amigos nos EUA reduziu de 3 para 1”. Segundo o Professor Jorge Humberto Dias, Coordenador do Projeto “Perspetivas para a Felicidade. Contributos para Portugal no World Happiness Report (ONU), projeto de que também faço recentemente parte, como investigador-colaborador, “a receita de Montegomery para uma cidade feliz parece ser: promover alegria, saúde, liberdade, resiliência, equidade e conexões sociais. Logo, podemos dizer que o mais importante são as experiências e não os bens materiais. A educação dos jovens dever percorrer este caminho. Só assim teremos um futuro melhor (…). Urge todos fazermos um trabalho sistemático que identifique, coerentemente, a relação entre a teoria e prática? Talvez por isso faça todo o sentido na atualidade a figura do “Ativista para a Felicidade”. Uma ideia forte de Montgomery é que os Autarcas hoje já têm disponível conhecimento suficiente sobre o tema da felicidade, que lhes poderia permitir a construção, progressiva, de uma cidade cada vez mais feliz.

O tema das cidades felizes é mais sério do que parece, chegámos à conclusão que as economias mais promissoras do século XX deram origem a cidades bastante infelizes(…) Já para De Neve, que é o principal autor e responsável por haver hoje(2020) um Ranking Mundial de Cidades Felizes(ONU), e concordemos ou não com ele, o importante é que agora já existe um modelo com “validade” e reconhecimento internacional. Durante muitos anos, não tivemos um barómetro, para avaliar as (poucas) promessas políticas de cidades felizes. Mas isso não significa que tenhamos uma receita standard para todas as cidades. Continua a ser essencial fazer um diagnóstico a cada cidade e depois aplicar e aplicar, especificamente, com uma visão de soluções inovadoras, onde a tecnologia terá de certo o seu contributo para a sociedade 5.0, que já está aí.

Afinal, o que faz um Ativista para as Cidades Felizes?

Pela minha experiência, já sei que será necessário muito mais do que vestir uma camisa branca ou defender a causa da felicidade das cidades nas redes sociais ou mesmo na imprensa, para ser considerado um verdadeiro Ativista. Aqui estão algumas características essenciais deste novo ativismo que proponho:

Um ativista deverá ter a capacidade de estimular uma cultura de pensamento estratégico dos territórios, defendo, implementando e agindo numa visão estratégica de valor/marca/região focado nos municípios e nas organizações, envolvendo-se no desenvolvimento de dinâmicas orgânicas da humanização da cidadania, de facilitação entre as partes e da otimização do espaço público e do bem comum;

Essencial é também, ter uma clara destreza na  construção e partilha através de um poder argumentativo de alta performance e impacto transformador; com um poder simultâneo de inovação e uma visão sobre a causa e da sua forte sensibilidade inclusiva de ética e valores, em conjunto com os lideres locais, regionais e nacionais, não perdendo nunca de vista, ao mesmo tempo, o potencial de oportunidade da via da internacionalização estratégica das cidades em alguns mercados externos, que personalizadamente deverão ir sendo segmentados e tendencialmente mais especializados;

A ativação da promoção de uma forte capacidade critica sólida, tendo como desígnio acrescentar valor todo os dias à cidade e assim ir otimizando sinergias entre os clusters regionais de empreendedorismo e também com os atores da governação eleitos por sufrágio, trabalhando orquestrada e transparentemente, apostando na eficácia da cultura de um trabalho colaborativo e de proximidade com o cidadão;

A Agenda do Ativista para as Cidades Felizes deverá saber como abordar, sem se apropriar das causas e indo criando cada vez mais e melhores propostas objetivas no sentido da construção de pontes fluídas e tendencialmente ir progressivamente criando novos cenários, novas parcerias criativas e com um plano metodológico de suporte tecnológico, mas nunca deixando de ser inclusivo;

No exercício da sua função, este Ativista deverá tomar a iniciativa de estar sempre aberto a um debate interativo, com pluralidade e orientado para o multiculturalismo, dentro e fora dos diferentes clusters regionais de desenvolvimento territorial e dos centros urbanos onde se insere;

Assim, é fundamental sabermos ouvir e respeitarmos a opinião divergente, reconhecendo sempre que possível, o valor no outro e na sua experiência, acrescentando valor em sintonia com os parceiros estratégicos do desenvolvimento dos territórios e da sua sustentabilidade, como fatores competitivos das cidades e das regiões.

Pedro de Sousa Santos

Ativista para as Cidades Felizes

 

Pedro é o primeiro Ativista para as Cidades Felizes na Splendid Time Consultores, é Doutorando em Ciências da Comunicação com especialização em Estratégia Organizacional pelas Universidade Católica Portuguesa de Lisboa com um projeto sobre “Cidades Felizes 5.0”  e Mestre pela Universidade Lusíada de Lisboa em “Marketing das Cidades e dos Municípios” e Licenciado em Relações Internacionais pela mesma Universidade. Atualmente é também investigador colaborador no Projeto” Perspetivas sobre a Felicidade. Contributos para Portugal no World Happiness Report (ONU)”, sob a orientação do Prof. Jorge Humberto Dias.